Feriados e festivais religiosos em Marrocos

Os feriados em Marrocos são extremamente importantes e sem dúvida uma ocasião de festa para todos os seus habitantes.

Mulheres e meninas fazem festas privadas onde se pintam com henna e depois todas vêm para fora de suas casas para celebrar. Visitas especiais são entretidas e muitos presentes são partilhados e trocados entre amigos e familiares.

Um pouco por toda a cidade, a comunidade junta-se e rituais religiosos são praticados. As mesquitas enchem dia e noite. Doces e comidas especiais são intercalados com copos e copos de chá de menta. Toda a gente se junta para comemorar. Amigos e familiares de diversas cidades juntam-se para celebrar momentos especiais da cultura e sociedade marroquinas.

Todos estes tipos de festivais e feriados são uma oportunidade excelente para conhecer um pouco mais da cultura e sociedade marroquina.

Feriados religiosos em Marrocos

Em Marrocos há feriados religiosos e feriados civis. O calendário Gregoriano, baseado no Sol, usa-se com fins civis. Este é o calendário que nós usamos no ocidente.

O calendário Islâmico / Muçulmano, baseado na Lua divide o ano em 12 meses. Estes meses têm uma variação em alternância com o calendário Gregoriano e completa o ciclo anual a cada 30 anos de 355 dias. Estes ciclos de trinta anos consistem em dezanove anos de 354 anos e onze anos de 355 dias. Assim, o calendário Islâmico tem 10 ou 11 dias a mais anualmente que o ano Gregoriano.

Este calendário é chamado de “Calendário de Hegira” porque é o ponto de começo da hegira, a ocasião em que Maomé voo espiritualmente para Meca no ano de 622 do calendário Gregoriano. O calendário da Hegira é usado para assuntos religiosos em Marrocos.

Meses de feriados e festivais religiosos em Marrocos

  • 1º mês – Muharram – 10º dia do mês Aashura
  • 2º mês – Safar
  • 3º mês – Rabi l-luw – 12º dia do mês l diaa-mulud
  • 4º mês – Rabih t-tani
  • 5º mês – Jumada l-luwla
  • 6º mês – Jumada l-tanya
  • 7º mês – Rajab
  • 8º mês – Shaaban – 15º dia do mês Shaabana
  • 9º mês – Ramadan ou Ramadão
  • 10º mês – Shuwal – 1º dia do mês l-aid s-sghir
  • 11º mês – du l-qiaada
  • 12º mês – du l-hijja – 10º dia do mês l-aid l-kbir

Celebração do aashura
Em Marrocos, o Muharram que é o primeiro mês do calendário Islâmico, é chamado de shhr Aashura – mês de Aashura. O seu nome vem do festival no 10º dia do mês (o número 10 em árabe é aashra). Este dia, chamado de nhar Aashura (dia de Aashura) é basicamente o Ano Novo para os muçulmanos. Ou seja, no calendário muçulmano, este é o dia de celebração de um novo ano. O Islão conta que Allah (Deus) criou Adão e Eva, céu e inferno, vida e morte – tudo no 10º dia da Criação.

Religiosamente falando, o mês de Aashura é riquíssimo em qualidades mágicas. O 9º e o 10º dia são abençoados, e assim muitos rituais sagrados são concretizados durante esta época. Em Marrocos, a acção da baraka (benção / esmola) é também geralmente praticada nestes dias.

Magias de bem e do mal são extensivamente praticados durante o dia de Aashura e na noite precedente, já que é dito ser a altura favorita para rituais de bruxaria. Pessoas juntam-se e usam máscaras e roupas e falam com vozes disfarçadas na noite anterior ao dia de Aashura. É dito que qualquer magia feita nesta altura dura o ano inteiro.
Boa comida com receitas festivas especiais têm um lugar muito importante durante a Aashura.

De acordo com as tradições marroquinas, é referido que o Profeta Maomé disse: “Àquele que proporciona imensidão de comida no seu Lar durante o dia de Ashura, Deus irá retribuir com prosperidade durante o resto do ano”. Vaca, cabrito, ovelha, tâmaras e ovos são todos os alimentos marcantes desta época. É nesta altura também que se visitam os túmulos de familiares e se reza aos falecidos.

De grande interesse e também importante referir são os diversos rituais de fogo e água praticados durante a Aashura. Este rituais têm intenções purificantes e de bem-estar. Na véspera da Aashura, “a noite da fogueira”, fogos e fogueiras são acendidos em diversos pontos das povoações onde as pessoas se juntam para cantar e dançar. O objectivo principal destes rituais é purificar os homens e animais e também protegê-los das más influências já que há uma certa proteção e “baraka” (benção) nestas fogueiras.

Efeitos semelhantes são atribuídos ao rituais de água que são praticados na manhã seguinte. A crença diz que há benção em todo tipo de água durante este dia festivo. Tomar banho matinal antes do nascer do Sol no dia de Aashura é uma tradição normal. As crianças são tradicionalmente envolvidas neste festival. São vestidas com roupa nova, tocam tambores e há uma troca de presentes durante este dia especial.

Celebração do aid l-mulud
Em Marrocos, o terceiro mês do calendário muçulmano é chamado de shr l-mulud – o mês de mulud. Este nome aparece por causa do festival celebrando o nascimento do Profeta Maomé que começa no 12º dia do mês e dura uma série de dias. O mulud é um mês particularmente abençoado para a religião muçulmana e as crianças nascidas durante esta altura são consideradas afortunadas e abençoadas.

O aniversário do profeta Maomé tem ainda mais importância em Marrocos dado que o país é uma Monarquia, e o seu Rei Mohamed VI é descendente do Profeta. O aniversário do Rei é celebrado no Palácio Imperial em Rabat e em Salé durante a noite onde tem lugar uma procissão com velas.

Em Meknes, a Irmandade Aissaoua tem a sua única e especial celebração. Os seguidores do homem sagrado l-hadi Ben Aissa cruzam a cidade de Meknes tocando música e celebrando numa procissão chamada de “pequena peregrinação”, visitando os túmulos de vários santos da cidade.

Celebração do shaabana
O oitavo mês do calendário marroquino é chamado de shaaban. No 15º dia um festival conhecido como shaabana acontece. De acordo com a lenda, é neste dia que Allah / Deus programa todas as acções da humanidade e decide o nascimento e a morte das pessoas.

Tradicionalmente, mulheres juntam-se e cozinham um prato de couscous especial com especiarias. Esta refeição é comida pelas mulheres que ainda não têm filhos em casa ou na mesquita. Esta pratica vai dar esperança a estas mulheres para poderem engravidar e dar à luz no ano vindouro.

Shaabana é também o mês antecedente ao mês sagrado do jejum – o famoso Ramadão. As pessoas começam então a pensar já no mês dificil que terão pela frente e fazem assim um festim com comidas, vários rituais, música e festa.

Celebração da laylatu l-qadr
O Ramadão é o 9º mês do calendário Islâmico. A característica mais importante do Ramadão é o jejum completo e a abstinência de comida, bebida e actividade sexual durante o nascer até ao pôr-do-Sol. Todos os muçulmanos a partir da puberdade têm que jejuar e fazer o Ramadão.

Mulheres grávidas, mulheres com menstruação, viajantes e aqueles que estão doentes não necessitam, mas, terão que praticar num momento mais tarde quando possam.

O Islão diz que há uma noite durante o Ramadão que é mais importante do que todas as outras. Esta noite é chamada de laylatu l-qadr – a noite do poder. O Alcorão diz que foi nesta noite que o livro sagrado foi enviado a Maomé.

Esta noite é uma das ultimas 10 noites do Ramadão, mas a sua data exacta não se sabe excepto pelo Profeta Maomé. A tradição fixa um dia impar como 21, 23, 25, 27 ou 29. Em Marrocos este dia é celebrado no dia 27.

Na noite do 27, os homens vão para a mesquita rezar. Desde o pôr-do-Sol até ao nascer do dia, o imam (o líder das rezas na mesquita) lê o Alcorão. Durante este tempo todo Alcorão é recitado. Acredita-se que o céu abrirá durante esta noite, trazendo benção e boas energias directamente de Allah / Deus.

Durante esta noite, refeições e comidas especias são preparadas. Um couscous é trazido para as mesquitas pelas mulheres. Aqueles que são incapazes de ir à mesquita, terão este couscous especial em casa. Cada família dá parte da sua comida aos mais pobres e carenciados.

Celebração l-aid s-sghir
Imediatamente a seguir ao Ramadão é o feriado l-aid s-sguir, ou, o pequeno feriado. Toda a gente fica acordada até mais tarde à espera de ouvirem a notícia de que a lua nova começou, e que consequentemente o Ramadão oficialmente acabou. Quando o Ramadão e o jejum acaba, dá-se um festival que dura 3 dias. A comida desta festa é geralmente feita com trigo ou cevada, em que cada família se esmera para fazer o melhor possível. A prática ritual e o apogeu religioso deste festival acaba com uma reza na mesquita.

Celebração l-aid l-kbir
No 10º dia do mês do l-hijja, o último mês do ano, o mundo muçulmano celebra o seu sacrifico anual. Em Marrocos este dia é conhecido como l-aid l-kbir – “a festa grande”.

l-aid l-kbir é o principal festival do Islão, comparado e derivado do sacrifício que Abraão fez para se redimir dos seus pecados. Assim, um animal é sacrificado, recriando o sacrifício de Abraão com o seu filho.

Todas as famílias marroquinas têm que ter a sua própria ovelha. Aqueles que não podem comprar uma ovelha podem comprar um animal mais barato como um cordeiro por exemplo.

Em Marrocos, o animal não pode ser morto até que o Rei Mohamed VI não tenha sacrificado a sua ovelha primeiro. Seguidamente, em cada casa, o chefe da família sacrifica o animal (por vezes quando não há um homem adulto em casa, o serviço de carniceiro será oferecido por um vizinho).

A ovelha é comida de acordo com uma ordem específica determinada pela tradição familiar ou da comunidade. Ou seja, no primeiro dia, o fígado, coração, estomago e os pulmões são comidos. No segundo dia, normalmente a cabeça e as patas do animal são consumidas. Porém, a cabeça e as patas poderão ser comidas no primeiro dia dependendo da tradição de cada casa.

Há uma série de rituais purificadores que preparam as pessoas para o ritual do sacrifício do animal. As pessoas têm que se purificar e santificar de maneira a poderem beneficiar deste festival sagrado. A higiene pessoal é o factor mais importante. Homens e meninos vão ao barbeiro e geralmente fazem uma visita ao hammam para se lavarem mais a fundo.

A henna é usada não meramente como um cosmético, mas também como arma contra más influências e mau olhado. As mulheres pintam as suas mãos com henna, e em muitos casos também pintam os pés. Em algumas tribos, a henna também é aplicada nos animais domésticos.

Muita reza e troca de presentes marca este festival. Presentes são trocados entre familiares e uma porção da comida preparada em casa é doada a familias mais pobres. O dia começa com uma reza matinal importante na mesquita da povoação.

Moussems em Marrocos

Muitas comunidades em Marrocos comemoram e celebram santos chamados marabous. Estes festivais anuais de celebração chamam-se de moussem. Pessoas de muito longe viajam para celebrar estas ocasiões e participarem nos moussem. Os moussem mais importantes em Marrocos são o moussem Moulay Bouchaib perto de El Jadida; o moussem de Moulay Brahim perto de Marrakech; moussem Moulay Yaaqyub em Fez; moussem Moulay Idriss em Moulay Idriss e ainda o famoso moussem das noivas perto de Imilchil nas Montanhas do Alto Atlas.

Feriados nacionais em Marrocos

Além dos festivais religiosos em Marrocos, há ainda vários feriados nacionais de importância relevante. Estes comemoram momentos marcantes da história de Marrocos, sendo os mais importantes o dia da Independência, o Festival do Trono, a Marcha Verde e o aniversário do Rei Mohamed VI.

aid l-arsh
O Festival do Trono chamado de aid l-arsh é o maior dos feriados nacionais marroquinos. Este festival comemora a subida ao poder do Rei no dia 30 de Julho de 1999. As celebrações incluem desfiles com o hino nacional geralmente nas maiores cidades, e com a presença dos governadores e outros altos dignatários.

Durante a altura do Festival do Trono, familiares que habitam nas zonas mais rurais, visitam os seus parentes nas zonas mais urbanas. Há um acontecimento marcante em Marrocos que é o melhoramento da aparência das povoações umas semanas antes do festival ocorrer. Assim, a cidade leva uma nova cara, com tudo pintado de novo, e centenas de bandeiras são assim espalhadas por todos os recantos das cidades.

La Marche Vert
O feriado da Marcha Verde é celebrado um pouco por todo o país. Este dia comemora um dos grandes legados do Rei Hassan II: a mobilização de 350.000 marroquinos marchando pelo território do Saara Ocidental a dentro, marcando e preenchendo o vazio político deixado irresponsavelmente pelos espanhóis. A 6 de Novembro de 1975, os primeiros marroquinos a marchar direcção sul, saíram de Tarfaya liderados pelo primeiro ministro Ahmed Osman.
Durante a celebração, aqueles que participaram no evento original nos anos 70, vestem-se de verde e comandam o desfile.

l dia-istiqlal
O Dia da Independência chamado de l dia-istiqlal comemora o dia 18 de Novembro de 1956, aquando do regresso de Mohamed V forçosamente exilado em Madagascar pelos franceses. Este dia é cheio de acontecimentos no Palácio Imperial em Rabat e com imensas celebrações por todo Marrocos.

Aniversário do Rei
O último dos feriados nacionais marroquinos é o aniversário do rei que nasceu no dia 21 de Agosto de 1962. Há várias celebrações organizadas em Rabat e a TV e Rádio têm programas especiais glorificando o Rei.

Festivais regionais em Marrocos

Em Marrocos há ainda muitos festivais regionais de grande importância cultural. De maneira geral estes festivais comemoram algo relativo a determinada região como um produto ou fruta regional. Assim este produto é vendido, juntamente com música e outras actividades recreativas.

Alguns dos festivais regionais mais importantes em Marrocos são o Festival das Cerejas em Sefrou (a sul de Fez), o Festival das Tâmaras em Erfoud (no Deserto do Saara), o Festival das Rosas em el-Kellat m’Gouna (perto de Ouarzazate), o Festival de Folclore e Música de Marrakech e ainda o Festival do Mel em Immouzer (perto de Agadir).

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