Marrocos em 7 Palavras

É impossível descrever Marrocos por palavras, visitar este país é uma experiência que cada um sentirá de forma própria, mas uma coisa tenho certeza: ninguém ficará indiferente às maravilhas deste reino. Se me pedissem para descrever Marrocos em 1001 palavras (como as histórias de Xerazade) teria dificuldade, mas vou fazer esta tarefa ainda mais desafiante: descrever Marrocos em 7 palavras e 5 sentidos: visão, audição, olfacto, paladar e tacto.

1- Areia

(Visão – cor)

A imagem de um deserto de areias finas e douradas a perder de vista no horizonte é talvez a imagem mais estereotipada de Marrocos. A areia é sem dúvida parte da identidade do país que tem o maior deserto (de areia) do mundo. O deserto do Saara é uma extensão de areia com mais de 9.000.000 km² que se estende por outros países vizinhos mas que ainda assim ocupa grande parte do território de Marrocos. Da vasta imensidão de areia onde parece não haver vida surgem as caravanas de camelos dos tuaregues que aqui vivem desde sempre num lugar onde para um turista parece difícil poder existir algo mais para além de areia.

2- Chá

(Paladar – sabor)

O chá é a bebida nacional de Marrocos. Qualquer lugar e qualquer hora são bons para se beber chá. O hábito de beber chá está enraizado na cultura marroquina e é muito mais do que uma bebida. O chá é todo um significado e ritual ao qual os visitantes não podem ficar indiferentes. Oferecer um chá faz parte do saber receber do povo marroquino, conhecido pela sua hospitalidade. Quando se visita alguém, numa loja ou mesmo na rua, se lhe oferecerem um chá, manda a etiqueta que não recuse. Há toda uma técnica em torno do chá desde a preparação das folhas, a preparação da infusão em si até à forma como é serviço, despejado do bule bastante distanciado do copo para provocar uma fina coroa de espuma.

O chá, original da Ásia, chegou a Marrocos pela mão dos Ingleses e de forma quase acidental foi introduzido na cultura deste povo, tornando-o um dos maiores consumidores de chá. O conhecido chá de menta marroquino pode ser realmente chá de menta ou chá verde com folhas de menta. Para os portugueses é normal a confusão entre menta e hortelã, de facto a planta e as suas folhas são parecidas e todas as espécies de hortelã começam pelo termo científico “mentha”. Mas a folha da menta é mais lisa e pontiaguda do que a da hortelã que usamos normalmente em Portugal.

O chá marroquino é realmente único e bebê-lo no seu meio natural é, sem dúvida, uma experiência a saborear pelo menos uma vez na vida (mas vários copinhos como mandam os bons costumes marroquinos).

3- Cuzcuz

(Paladar – sabor)

Quando se pensa em comida marroquina pensa-se logo em cuscuz. O cuscuz é sêmola de cereais, o mais usado é de trigo, em granulado miúdo. É base de grande parte dos pratos típicos Marroquinos e pode ser feito com legumes, carne, peixe, frutos secos, etc. O prato é também muito apreciado pelos franceses que tomaram contacto com esta iguaria através da grande comunidade do Margreb em França. Em Portugal chegou a fazer parte da alimentação diária no séc XVI, mas foi perdendo importância com a substituição por outros alimentos.

4- Hammam

(Tacto – bem estar)

A tradição dos Hammam é muito antiga e é difícil saber se são uma invenção romana ou dos povos do Médio Oriente. Na civilização greco-romana havia os banhos públicos ou termas, chamados também de banhos turcos. Após a queda do império romano, os banhos turcos continuaram a ganhar notoriedade entre os seguidores do Islão. A prática dos banhos turcos é defendida e incitada no Corão como forma de purificação e ligada a rituais de saúde e bem-estar. Assim, muitos Hammam estão localizados perto de mesquitas.

O ritual do Hammam consiste no banho de vapor que favorece a desobstrução dos poros, seguido de uma massagem intensa e vigorosa no corpo inteiro, normalmente usando uma luva de crina de cavalo.
Para além da sua vertente medicinal, os Hammam, à semelhança do que acontecia nas termas romanas, são locais para socializar. Para os povos chamados ocidentais, esta prática de socialização num ambiente intimo como um Hammam pode parecer constrangedor.

5- Medina

(Audição – sons da medina)

Medina é uma palavra que nos remete imediatamente para Marrocos ou um país árabe em geral. Medina mais não é do que a palavra árabe que significa cidade. No seu significado mais lato, traduz-se por cidade antiga e refere-se normalmente á típica cidade que fica dentro de uma muralha. A medina é uma amálgama de cores, cheiros e ruídos que se misturam. O ritmo vibrante da medina traduz-se numa melodia própria: a do frenesim das suas gentes que ali se movimentam e que se dedicam às suas tradições ancestrais.

6- Oásis

(Visão – miragem)

Nos filmes e nas histórias os oásis são muitas das vezes paraísos irreais, simples miragens no deserto. Mas em Marrocos eles são reais. A beleza do oásis advém sobretudo do contraste com a paisagem circundante, árida e sem vida. Oásis são símbolos de vida numa natureza morta. Nos locais mais inóspitos, áridos e rochosos, surgem verdadeiros paraísos verdes com palmeiras, oliveiras e pomares que contrariam tudo a seu redor. As populações fixam-se e desenvolvem-se em redor dos oásis, mas nunca desperdiçam um m2 de terreno fértil para edificação. Em terrenos pobres, um oásis é um bem precioso de mais para se desperdiçar. Os contrastes: oásis versus deserto são o cartãode visita do país.

7- Especiarias

(Olfacto – cheiro intensos)

Quem nunca viu uma imagem das coloridas bancas de especiarias nos souks? São autênticos cenários de cor muitas vezes retratados como imagem de um país. Mas para além do que se consegue captar numa imagem, estão os cheiros únicos destes lugares.

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